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Estudantes - da ditadura aos baseados

Para quem viu os estudantes de São Paulo enfrentando o Exército nas ruas, naqueles dias nada saudosos de luta contra a ditadura militar, é profundamente entristecedor observar os estragos feitos pela minoria que invadiu a USP, ao fundamento obsceno de defender colegas presos pela Polícia Militar quando fumavam maconha.
Os estudantes paulistas sempre tiveram bandeiras mais nobres. Em 1932, quando a ditadura de Getúlio Vargas negava a outorga de uma Constituição ao povo brasileiro, milhares deles se alistaram às forças que enfrentariam com armas os defensores do ditador. Vem daquela época o verso gravado em bronze na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco: "Quando se sente bater no peito heroica pancada, deixa-se a folha dobrada enquanto se vai morrer". A folha dos dias presentes não é mais aquela dobrada no livro, mas o de uma conhecida erva que anestesia e enfraquece a vontade de alguns.
A mesma bandeira de luta contra a ditadura foi empunhada décadas depois também por estudantes para exigir eleições diretas e livres. A Faculdade de Direito da USP, na época, foi ocupada por seus alunos em circunstâncias que deixariam envergonhados esses que agora, quem sabe ao efeito de baseados, tomaram a Reitoria e conseguiram obter uma assombrosa desaprovação pública de sua conduta.
Nestes dias de inacreditável insegurança coletiva, quando grupos armados invadem residências e enfrentam sem medo a polícia com armas de grosso calibre, não dá para entender os grupos minoritários de estudantes da Cidade Universitária que não querem a segurança proporcionada pela Polícia Militar. Enfim, num momento em que a presença de policiais militares é desejada por praticamente todos, nas ruas, avenidas, ao lado das escolas, é incrível que essa minoria faça baderna pública para impedir atividade que é de interesse coletivo. Não é possível que os estupros e os assaltos ocorridos na Cidade Universitária não ensinem a essa minoria a necessidade de policiamento.
É forte e assustadora a informação de que na raiz de tudo está o desejo de uso livre de drogas. Tão surpreendente se mostra essa versão que é preferível torcer para não ser verdadeira, mas, pelo que mostram os fatos, infelizmente o pretendido afastamento de policiais teria mesmo esse objetivo.
Num mundo como o nosso, de diferentes escalas de valores, é compreensível que as minorias exprimam os seus inconformismos. Realmente, se estamos num Estado de Direito, exercido em regime republicano, as manifestações, quando exercidas com razoabilidade, servem até mesmo para fortalecer a democracia. Mas quando as minorias inconformadas agem por impulso e se afastam da lei, descumprindo-a deliberadamente, contra a vontade da maioria, o caminho a ser seguido para a manutenção da ordem é exatamente o adotado pelo governo paulista.
Diante de decisão judicial, devidamente fundamentada, que determinava a desocupação da Reitoria, com a retirada dos estudantes, não poderia ser outra a conduta da Polícia Militar. A desocupação efetivou-se com base na força necessária, mas sem violência, retirando-se e detendo-se os estudantes renitentes, que ali permaneciam por lamentável teimosia.
Quem teve a oportunidade de assistir na televisão à invasão da USP pelos policiais militares sentiu claramente o propósito determinado de afastar os estudantes, mas, ao mesmo tempo, não ceder às provocações. Todos sabemos como nessas horas o surgimento de uma vítima poderia alterar completamente a situação - e isso, felizmente, não aconteceu.
O comportamento desses estudantes, levados coercitivamente para a delegacia de polícia do bairro, faz lembrar infração de diferentes tipos penais, significando que deverão judicialmente responder pelos estragos. A falta de razoabilidade seguramente vai custar-lhes bem caro, podendo até resultar na perda da primariedade, o que é danoso para qualquer pessoa, mas, sobretudo, para quem ainda vai iniciar sua atividade profissional.
Chama também a atenção o fato de se tratar de estudantes da mais famosa universidade do País, cujo acesso é sonhado por milhões de brasileiros. Sem nenhuma dúvida, os que ali conseguem penetrar, após sofrido vestibular, são pessoas privilegiadas, porque, em vez de pagar pelos estudos, terão como "sócio" o Estado paulista, que nada cobra desses alunos.
Os estudantes que trabalham durante o dia e fazem faculdade à noite não estão nesse grupo de privilegiados que tomaram a Reitoria. Em verdade, tornou-se público que a maioria dos estudantes reprova a invasão e deseja que a Polícia Militar cuide da segurança local. Curiosamente, a vontade dessa maioria é afrontosamente repudiada pela minoria radical de invasores, os quais, cobrindo a cabeça com panos (assim apareceram na televisão), fazem lembrar outros radicais - exatamente aqueles que usam o argumento das bombas.
Além do movimento de políticos que invadem terras alheias para se firmarem e obterem vantagens pessoais e de organizações mais recentes que ocupam prédios de particulares usando como massa de manobra a sofrida classe dos que não possuem casa própria, é um absurdo ver nascer essa revolta sem causa de estudantes privilegiados, que causaram a impressão de estar sob o efeito da conhecida erva.
O fato de esses estudantes não quererem a polícia perto deles é muito significativo e torna desnecessária qualquer outra explicação. Enfim, querem ter uma liberdade afrontosa aos costumes e até mesmo aos demais colegas, os quais preferem, por grande maioria, a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária.
Aloísio de Toledo César, Desembargador Aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo
Fonte – Estadão Opinião
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Estudantes chilenos armam barricadas e são reprimidos pela polícia

Os estudantes chilenos iniciaram nesta terça-feira (11/10) mais um dia de protestos contra a atual política educacional do país e armaram barricadas que provocaram caos no trânsito em Santiago e na região metropolitana da capital.

As barricadas foram erguidas nos arredores do colégio José Victorino Lastarria, na cidade de Providência, tumultuando o trânsito da avenida 11 de Setembro, já que a polícia interrompeu o tráfego em duas faixas para reprimir os manifestantes.

Os alunos enfrentaram os policiais com pedras arremessadas de dentro da escola. Há registros da prisão de um menor de idade que, de acordo com a polícia, carregava pedras em sua mochila.

Há duas semanas, o prefeito do município, Cristian Labbé, ex-coronel do exército e colaborador próximo do ex-ditador Augusto Pinochet, decidiu desocupar as escolas tomadas por estudantes e encerrar o ano letivo.

Outras barreiras foram montadas em frente à Universidade de Santiago. Os estudantes atearam fogo a pneus e também prejudicaram o trânsito da Alameda, principal via da cidade.
Em ambos os locais a polícia reprimiu os manifestantes lançando jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo.

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Fonte – Opera Mundi

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Manifestação na Avenida Paulista chama atenção contra o bullying e a violência infantil

Elaine Patricia Cruz Da Agência Brasil


São Paulo - Uma manifestação realizada na tarde de hoje (27), na Avenida Paulista, em São Paulo, marcou o lançamento de uma campanha nacional contra o bullying e a violência infantil. A manifestação é parte da mobilização Quebrando o Silêncio, criada pelos Adventistas do Sétimo Dia e que há dez anos luta contra a violência à mulher, ao idoso e à criança. Segundo a Polícia Militar, o ato contou com a participação de cerca de 900 pessoas. Os organizadores estimaram em duas mil pessoas.

Bullying é todo ato de violência física ou psicológica exercida por alguém que seja fisicamente superior àquele que é oprimido e que traz prejuízo significativo para a vida dessa pessoa”, explicou Noel José Dias da Costa, psicólogo da rede educacional adventista e um dos voluntários do evento.

Uma das crianças presentes à manifestação, a estudante Talita A., de 11 anos, disse já ter sido vítima de bullying. Talita contou que alguns garotos da escola a apelidaram de Olivia Palito (personagem do desenho Popeye) por ela ser magra. Depois de ter ficado triste e chorado, ela contou a história para a mãe, que conversou com a escola. “A escola falou com os meninos e eles me pediram desculpa”, contou.

Talita disse que agora se sente mais feliz. “Acho importante a escola discutir isso porque assim as crianças vão parar de praticar isso e vão respeitar mais as pessoas”.

Segundo o psicólogo, a criança que é vítima de bullying pode apresentar dificuldades em suas interações com outras pessoas, na escola e na formação de sua identidade. “No longo prazo, os prejuízos podem trazer severos traumas psicológicos que podem vir na forma de ansiedade, depressão e comportamentos inadequados”, disse.

A ação desta tarde (27) foi marcada por um mural, de cerca de 30 metros, onde as pessoas puderam deixar a marca de sua mão, com o objetivo de formar um grande símbolo contra a violência.

“Nossa campanha é preventiva e educativa. Fazemos algumas manifestações públicas, como a de hoje, mas nosso foco é a educação. Fazemos campanhas nas escolas e palestras”, disse Sonia Santos, coordenadora estadual da campanha.

Segundo a organização do ato, uma pesquisa sobre bullying no país, publicada no ano passado pela organização não governamental Plan Brasil, apontou que cerca de 70% dos estudantes dizem já terem presenciado cenas de violência em suas unidades de ensino. Quase metade dos estudantes consultados na mesma pesquisa (47%) disse já ter visto um colega sofrer bullying.

Pouco antes da manifestação contra o bullying, cerca de 50 estudantes fizeram um outro ato, também no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, pedindo por uma destinação maior do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação.

“A principal reivindicação é maior investimento para a educação. Também reivindicamos um sistema igualitário público de ensino, universal e de qualidade”, disse Yuri Gonzaga, estudante de jornalismo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do movimento, que foi convocado pelas redes sociais na internet.