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O PLANEJAMENTO E O PLANO ESCOLAR: A PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA - Prof. Pedro Ganzeli


Nos últimos anos, a educação brasileira vem sofrendo significativas mudanças, que estão a exigir de todos os agentes educacionais, que vivenciam o dia-a-dia da escola, uma nova conduta em razão da nova visão do processo educativo. 

A escola não poderia ficar alheia a esse fenômeno que é moderno e necessário a toda política que se pretende democrática. 

Planejar é um processo necessário no caminhar para a democratização do ensino na escola. O plano escolar estabelece, então, a marcha para essa caminhada, bem como as paradas para refletir sobre o acerto ou desacerto da marcha, tendo em vista avaliá-la cotidianamente. 

O planejamento educacional é informado pela concepção que cada governo expressa a respeito das funções do Estado, quando ao desenvolvimento nacional. 

Buscando colaborar no processo de pensar e fazer a escola pública, este artigo apresentará, de forma sucinta, três aspectos básicos do planejamento educacional: sua história, seu conceito e o método que prioriza a participação de todos na resolução dos problemas da escola. 

UM POUCO DE HISTÓRIA 

O planejamento educacional é informado pela concepção que cada governo expressa a respeito das funções do Estado quanto ao desenvolvimento nacional. Assim, apresentaremos um breve histórico sobre planejamento governamental no Brasil, destacando a visão que diferentes planos de desenvolvimento propiciaram à área educacional. 

No período pós-guerra, divulgou-se, nos países considerados subdesenvolvidos, o Modelo Desenvolvimentista, teoria defendida pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), a qual propunha a centralidade do Estado no processo de orientação do desenvolvimento da economia nacional. 

As preocupações básicas do modelo desenvolvimentista giravam em torno da criação da infra-estrutura necessária para a instalação de indústrias no país, substituição de importação e criação de um mercado consumidor de massa nacional. Buscava-se, dessa forma, criar um desenvolvimento auto-sustentado para o país. Sua concretização dar-se-ia pela associação do capital nacional ao internacional. 

Tomando o Plano de Metas do presidente Jucelino Kubitschek como a "efetiva inauguração" do planejamento governamental no Brasil, verificamos que o setor da educação, inicialmente não previsto, foi incluído no Plano, quando da constatação de que as novas empresas precisariam de mão-de-obra qualificada. Podemos dimensionar o valor dado pelo Plano de Metas à educação, observando a alocação dos investimentos previstos para os cinco setores básicos: energia 43,8%; transporte 29,6%; industria de base 20,4; educação 3,4% e alimentação 3,2%". 

A ditadura militar, que se instalou no governo do país em 1964, assimila esse modelo, lançando mão de vários Planos Nacionais de Desenvolvimento, ganhando o setor educacional um maior destaque. Tendo como base a Teoria do Capital Humano, defendia-se a educação como um investimento e não mais como um gasto, pois, com a qualificação proporcionada por anos de escolaridade, o trabalhador teria melhores condições de progredir na carreira, alcançando as funções mais rentáveis; o empresário teria a sua disposição um trabalhador mais produtivo, ampliando a quantidade e qualidade de seus produtos e, finalmente, ganharia o governo, ao garantir uma sociedade mais adequada ao mundo moderno. O Estado, nesse período, promoveu a educação de alto nível, priorizando o Ensino Universitário e Tecnológico, procurando atender o setor industrial e agrícola, bem como instituiu o ensino profissionalizante no nível de 1° grau (LEI 5692/71) 

Na década de 80, ao mesmo tempo em que o país enfrentava uma grave crise econômica, a qual diminuiu a capacidade de investimento por parte do Estado, ampliavam-se, com a redemocratiização política, as demandas populares por educação e outros. 

Sendo, então, centralizado, o planejamento passa a ser elaborado por tecnocratas em seus gabinetes, prevalecendo as necessidades econômicas na definição dos objetivos da educação nacional. Nesse caso, "essa abordagem economicista dos problemas da população corresponde a uma visão de homem funcionalista e instrumentalizadora, na qual todas as medidas escolhidas se voltam para o crescimento econômico e em que tudo se justifica em função dos ‘objetivos nacionais’". 

Na década de 80, ao mesmo tempo em que o país enfrentava uma grave crise econômica, a qual diminuiu a capacidade de investimento por parte do Estado, ampliavam-se, com a redemocratização política, as demandas populares por direitos como educação, saúde, transporte, moradia, além de outros. A Constituição de 1988 acabou por garantir, depois de muita luta, parte dessas reivindicações populares. Nesse período, podemos verificar nos Planos de Governo a incorporação de uma nova visão de educação para a formação do cidadão crítico e não mais uma formação somente para a qualificação para o trabalho. 

A onda neoliberal chega ao Brasil nos anos 90. Com a globalização da economia, as elites internacionais e nacionais passam a defender a redução das funções do Estado. O Banco Mundial reforça seus investimentos em políticas de descentralização e desconcentração administrativas nos países em desenvolvimento. A descentralização passa a ser entendida por essa instituição internacional e seus teóricos, como sinônimo de privatização e ampliação do mercado mundial. O novo paradigma de desenvolvimento defende que os países, como o Brasil, reformulem suas estruturas econômicas, sociais e políticas para se adaptarem às novas exigências do mercado internacional. 

Segundo um documento elaborado pela Cepal/Orealc, "Educação e Conhecimento: eixo da transformação produtiva com equidade", o qual serviu de base para as reformas educacionais na América Latina, o Estado deveria redefinir o seu papel nas políticas na área da educação, devendo dirigir-se "à gestão institucional responsável (descentralização); à profissionalização e ao protagonismo dos educadores (revisão da inserção, da formação e do modo de atuar dos docentes); ao compromisso financeiro da sociedade com a educação (contribuição dos pais e da comunidade local); à capacidade e esforço científico e cooperação regional e internacional"3 . 

Essas idéias estão presentes no Plano Decenal de Educação para Todos, produzido em 1993, cujo primeiro objetivo é "satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças, jovens e adultos, promovendo-lhes as competências fundamentais requeridas para plena participação na vida econômica, social, política e cultural do país, especialmente as necessidades do mundo do trabalho (grifo nosso)4 . Como podemos observar, reforça-se a necessidade da formação para o mundo do trabalho e incorporam-se, então, novas exigências ao trabalhador, isto é, que ele seja "flexível", de forma a corresponder aos novos padrões de produção. 

Insiste-se no velho argumento de que, com a melhoria da qualidade do trabalhador, alcançaríamos o sonhado desenvolvimento econômico e automaticamente se democratizariam as relações sociais na nação. 

Entre 1960 e 1970, os dez por cento mais ricos da população brasileira aumentaram a sua participação na renda nacional em 7%, passando de 40% para 47%, ao passo que os cinqüenta por cento mais pobres diminuíram a sua participação em dois pontos percentuais, de 17% para 15%5 . 

Formar o trabalhador não basta, é preciso que todo cidadão valha-se de sua consciência na visão dos verdadeiros interesses ocultos, por exemplo, por detrás das privatizações e terceirizações, que se espalham hoje pelo país. 

Essa tendência acentuou-se nos anos 80, quando os dez por cento mais ricos da população, que detinham 46,6% da renda nacional em 1981, ampliaram a sua participação para 53,2% no ano de 1989, ao passo que os dez por cento mais pobres, que detinham 0,95 da renda nacional em 1981, diminuíram a sua participação, alcançando 0,6% em 19896 . 

Nos anos 90, essa tendência de queda da participação da população mais pobre na renda nacional manteve-se praticamente inalterada. Os cinqüenta por cento mais pobres tiveram a seguinte participação na renda nacional: 1991, 13,6%; 1993, 12,3%; 1994, 11,3%; 1995, 12,2%7 . 

Como podemos constatar, apesar de todo o desenvolvimento econômico e todo "progresso" alcançado, as elites nacionais (e internacionais) ampliaram cada vez mais os seus lucros, ao passo que a maioria da população permaneceu com uma participação restrita na renda nacional, o que dificultou a democratização social e econômica do país8 . 

Essas observações vêm a baila, pois, se estamos preocupados em pensar sobre o planejamento numa perspectiva democrática, temos que definir qual a função prioritária da escola na sociedade brasileira nos dias atuais. Nesse sentido, cobrar da escola a formação do trabalhador capaz de exercer uma profissão com dignidade é insuficiente, pois em um país desigual como o nosso, a escola deve ir além da formação para o trabalho, priorizando a formação do cidadão, o que requer prepará-lo em toda sua humanidade. Vale dizer, preparar o cidadão consciente, atuante e crítico. 

Entre 1.960 e 1.970, os dez por cento mais ricos da população brasileira aumentaram a sua participação na renda nacional em 7%, passando de 40% para 47%, ao passo que os cinqüenta por cento mais pobres diminuíram a sua participação em dois pontos percentuais, de 17% para 15%. 

Nesse sentido, é preciso ficarmos atentos às duas propostas do Plano Nacional de Educação (PNE), em debate na Câmara Federal, uma encaminhada pelo MEC, que propõe elevar "na década, por meio do esforço conjunto da União, dos Estados e dos Municípios, do setor privado, do percentual de PIB aplicado em educação para atingir o mínimo de 6,5%", seguindo a concepção de educação defendida pelo Banco Mundial, e a proposta das Oposições, mediante a qual deve-se "aumentar em dez anos os gastos públicos com a educação até cerca de 10% do PIB para o pleno atendimento das propostas contidas neste Plano Nacional de Educação"9 . Busca-se aqui recuperar o sistema público de ensino, insistindo na responsabilidade do Estado pela manutenção do ensino público de qualidade, por intermédio de uma outra forma de ver e fazer a política educacional. 

Formar o trabalhador não basta, é preciso que todo cidadão valha-se de sua consciência na visão dos verdadeiros interesses ocultos, por exemplo, por detrás das privatizações e terceirizações, que se espalham hoje pelo país. 

Se a função da escola não é meramente profissionalizante, o planejamento deve ser necessariamente participativo, tendo em vista a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. 

PLANEJAMENTO: PROCESSO DE TRABALHO COLETIVO 

O planejamento para a educação em uma escola pública marca-se por influências "externas" e "internas" a seus muros. 

Torna-se, hoje, cada vez mais difícil entendermos o que se passa na escola, se desconhecemos as políticas internacionais voltadas à educação, em especial as teorias ditadas por organismos internacionais de financiamento, como o Banco Mundial, e sua política de privatizações10 . 

As novas legislações como a Emenda 14, a nova LDB, entre outras, também devem ser consideradas para a compreensão da realidade escolar, pois estas legislações "determinam" a forma de organizar e de fazer a educação em nosso país. 

As políticas implementadas pelos diferentes níveis de governo também devem ser consideradas uma importante fonte de influência no planejamento, pois, ao instituir e propor o programa TV Escola e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a esfera federal fez-se presente praticamente em todas as unidades escolares da nação. No âmbito estadual, o programa de Reorganização da Escolas afetou a educação do Estado de São Paulo, influenciando, ainda a organização do sistema municipal de ensino, particularmente, no que se refere à distribuição de alunos. Na esfera municipal, a influência advém das várias formas de entender e implementar a municipalização do ensino fundamental instituída com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Enfim, é preciso deixar claro que a escola é influenciada por diferentes fatores além-muros, sendo de fundamental importância a compreensão do significado desses fatores para o dia-a-dia da escola. 

A autonomia é também um conceito que exprime um certo grau de relatividade: somos, mais ou menos, autônomos; podemos ser autônomos em relação a umas coisas e não o ser em relação a outras. 

Além dessas influências "externas", a escola é também influenciada por fatores advindos de sua "realidade particular", exigindo que os agentes sociais presentes em seu cotidiano façam uma análise desse mesmo cotidiano. Pensando que "cada caso é um caso", temos que ter clareza da necessidade de conhecermos o que realmente está se passando em nossa unidade escolar. 

Vejamos se, mediante um exemplo, essa idéia fica mais clara. Suponhamos três escolas: A, B e C. Apesar de a violência ser comum às três escolas, cada uma delas poderá sofrer o mesmo problema de forma distinta, ou seja, na escola "A", a violência é causada especialmente por gangues de rua, que buscam refúgio na escola, na escola "B", a violência é decorrente de brigas geradas por alunos de diferentes bairros que disputam poder no espaço escolar, na escola "C", o clima agressivo entre os diferentes segmentos da escola é gerado pela forma autoritária, pela qual a direção está conduzindo a escola. 

Cândido (1987) nos alerta que, os "elementos que integram a vida escolar são, em parte, transpostos de fora; em parte, redefinidos na passagem, para ajustar-se às condições grupais; em parte, desenvolvidos internamente e devidos a estas condições. Longe de serem um reflexo da vida da comunidade, as escolas têm uma atividade criadora própria, que faz de cada uma delas um grupo diferente dos demais"(grifo do autor) . 

Estamos entendendo autonomia escolar como um sistema de relações, conforme nos explica Barroso (1998): "A autonomia é um conceito relacional (somos sempre autônomos de alguém ou de alguma coisa) pelo que a sua acção se exerce sempre num contexto de interdependências e num sistema de relações. A autonomia é, também um conceito que exprime um certo grau de relatividade: somos, mais ou menos, autônomos; podemos ser autônomos em relação a umas coisas e não o ser em relação a outras. A autonomia é, por isso, uma maneira de gerir, orientar, as diversas dependências em que os indivíduos e os grupos se encontram no seu meio biológico ou social, de acordo com as suas próprias leis". 

O conhecimento da realidade escolar passa a ser uma exigência no processo de planejamento. Para Ferreira (1979), mais do que conhecer um método de planejamento, aquele que planeja, deve possuir um bom conhecimento da realidade a ser planejada13 . 

A participação, a nosso ver, é o melhor caminho para conhecer a realidade escolar, pois a escola analisada pelo pai não corresponde necessariamente à escola vista pelo professor, bem como pode não refletir as análises dos outros membros presentes no dia-a-dia da escola, funcionários, alunos e especialistas. Por meio da participação e do debate democrático, somente, será possível o encontro de pontos comuns aos vários segmentos, das várias "realidades" presentes na escola, que deverão ser contemplados no processo de planejamento escolar. 

A participação possibilita a incorporação dos vários significados que a escola possui por parte dos diferentes segmentos que vivenciam a realidade escolar. A escola deixa de ser do governo, do diretor, do funcionário, do professor, do pai, do aluno e passa a carregar simbolicamente um pouco de todos. A participação deve ser entendida como um processo de aprendizagem que demanda um tempo e um esforço de todos aqueles preocupados com a formação do cidadão. Nesse sentido, é preciso pensar em uma forma de planejar a escola de modo que se possibilite a participação de todos nas decisões sobre os seus rumos. 

Estamos entendendo o planejamento como um processo de organização do trabalho escolar. Podemos visualizar três momentos no processo de planejamento – ANTES – DURANTE – DEPOIS das operações, ou seja, a preparação das operações a serem desenvolvidas; o acompanhamento da execução das operações, e a avaliação de todo o processo após a execução de todas as operações. 

O primeiro é o momento de elaboração do Plano Escolar, ou seja, quando analisamos participativamente a realidade a ser planejada, levantando as suas principais necessidades (diagnóstico) e dessas passamos a decidir sobre os objetivos que desejamos alcançar (objetivos), como também sobre os caminhos que vamos seguir para alcançar esses objetivos (programação) e o que vamos precisar para seguir nesse caminhar (recursos). Ainda, nesse momento, teremos de decidir sobre o momento e a forma de avaliação do planejamento (avaliação). Todas as decisões coletivamente tomadas, no primeiro momento, devem ser registradas no documento que chamamos de Plano Escolar. 

O ideal é a seleção de problemas que envolvam toda a escola. Vale lembrar que o problema selecionado seja expresso de forma clara e objetiva, facilitando o entendimento de toda a comunidade escolar, até mesmo daquelas pessoas que não participaram das discussões. 

O segundo momento do planejamento caracteriza-se pelo acompanhamento da execução das operações. Acompanhar significa interagir com a realidade, ou seja, estar atento para mudar os rumos das operações, caso elas não satisfaçam os objetivos do planejamento, pois a dinâmica escolar pode se alterar exigindo certas modificações nas operações inicialmente pensadas. Devemos estar sempre atentos às necessidade de mudança do percurso, se realmente estamos interessados em alcançar determinados objetivos. 

O terceiro momento do processo de planejamento corresponde à avaliação de todo o caminhar, ou seja, quando verificamos quais as operações que levaram a alcançar os objetivos propostos e aquelas que, mesmo executadas, não tiveram o efeito desejado para o alcance dos objetivos inicialmente propostos. Nesse momento, ao analisarmos os acertos e erros, estaremos preparando um novo planejamento, pois, como processo, esse planejamento carateriza-se por um contínuo planejar, acompanhar, avaliar, replanejar, etc... (Ferreira,1979). 

Todo processo de planejamento tem por objetivo alterar uma dada realidade, ou seja, espera-se com a implementação do planejamento que ocorram mudanças políticas, pedagógicas e administrativas na realidade escolar. Apesar de parecer "óbvia" esta afirmativa torna-se necessária, pois ainda está muito presente entre os agentes educacionais a visão de que o planejamento e, principalmente, o plano escolar, não passam de mera formalidade legal. Essa visão acaba por impedir ações que garantam a organização do trabalho coletivo na escola e, consequentemente, a democratização das relações na unidade escolar. Nesse sentido, de nada adianta darmos novos nomes e formas ao plano se este será elaborado dentro de uma concepção fechada de planejamento. Muda-se a forma, introduzem-se novos e sofisticados conteúdos, mas o seu significado permanece o mesmo, um documento legal sem influência no cotidiano escolar. 

Com a preocupação de garantir a "operacionalização" do planejamento participativo, apresentaremos a seguir um método de elaboração do Plano Escolar, baseado no Método Altadir de Planificação Popular14 , que tem na participação e na resolução de problemas suas principais características. 

A PRODUÇÃO DE UM PLANO ESCOLAR 

As orientações a seguir possuem a finalidade de viabilizar a produção de um Plano Participativo, por meio da resolução de problemas levantados e explicados por todos os segmentos que vivenciam o dia-a-dia da escola. Mais que a apresentação de um método de planejamento, este roteiro tem a intenção de refletir sobre uma das inúmeras formas de possibilitar a participação planejada de todos os segmentos na unidade escolar, sendo aceitável, desta forma, modificações em sua estrutura de modo a facilitar sua aplicabilidade. É de fundamental importância que o plano seja compreensível para toda a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários e especialistas do ensino), portanto sua linguagem deve ser clara e objetiva. 

Para melhor transparência e divulgação das ações a serem realizadas pelos agentes escolares, pensamos na produção de um Painel, que descreva de forma clara todo o processo de planejamento em detalhes, ou seja, o PROBLEMA, seus INDICADORES, suas CAUSAS, as OPERAÇÕES, os RECURSOS necessários, o PRAZO DE EXECUÇÃO, os RESULTADOS esperados de cada operação, a AVALIAÇÃO da operação e, finalmente, a REVISÃO GERAL delas. Para facilitar a montagem desse painel, foram elaboradas fichas correspondentes a cada parte do plano, conforme explicaremos a seguir. 

O primeiro passo para a elaboração de um planejamento participativo é fazer que os problemas a serem tratados pelo Plano partam do seio da comunidade escolar. Assim, é necessário que cada segmento da escola, representada por pais, professores, funcionários, alunos e especialistas, selecione um problema que, segundo sua opinião, está afetando a escola. (Exemplo: pais = falta de segurança, professores = falta de interdisciplinaridade, alunos = falta de quadra para a prática de esportes, funcionário = falta de respeito por parte dos professores, direção = indisciplina dos alunos, superlotação das classes, falta de professores, etc.). Após o levantamento dos problemas apontados por todos os segmentos, torna-se necessário hierarquizá-los, priorizando aqueles mais votados por toda a comunidade escolar ou mesmo discutidos em reuniões do Conselho de Escola. Os problemas devem tratar de temas dentro dos limites da escola, pois existem alguns externos, os quais, apesar de afetarem diretamente a escola, são de difícil acesso para a comunidade escolar. O ideal é a seleção de problemas que envolvam toda a escola. Vale lembrar que o problema selecionado seja expresso de forma clara e objetiva, facilitando o entendimento de toda a comunidade escolar, até mesmo daquelas pessoas que não participaram das discussões. Um plano escrito de forma clara torna-se um instrumento pedagógico para a comunidade escolar, pois explica à mesma os problemas presentes na instituição e as soluções propostas para a sua resolução, o que garante a colaboração de todos na execução do mesmo. 

A) PROBLEMA - Pense num problema que interfira negativamente na escola. É comum, nessa parte da discussão uma certa dificuldade na definição do problema, pois, em certos casos, não é muito clara a distinção do problema e suas causas, ou mesmo conseqüências, o que exige um tempo maior de discussão. 

Ficha 1 

Problema: Indisciplina do aluno 

B) INDICADORES - Quais os dados quantitativos ou qualitativos que demonstram a existência do problema na escola? 

Ficha 2 

Indicadores: 

I1 - Alto índice de alunos suspensos no 1º bimestre
I2 - Brigas constantes nos corredores e pátio da escola
I3 - ... 

C) CAUSAS - Quais as causas do problema? Descreva, de forma clara e objetiva, as principais causas do problema selecionado, identificando-as com uma sigla para facilitar a sua identificação ex: C1; C2...: 

Ficha 3 

Causas: 

C1 – Presença de turmas de alunos de bairros diferentes, gerando disputas pelo espaço escolar.
C2 – Falta de professores gerando períodos livres aos alunos.
C3 – Ausência de funcionários de apoio, dificultando a organização dos alunos nos períodos de recreio, entrada e saída de alunos
C4 – Baixa estima do aluno em relação à escola e a seus colegas 

D) OPERAÇÕES – Para cada causa elabore uma ou mais operações que enfrente o problema apontado. Nestas operações devem ser apontados: 

- QUEM - professor João; funcionária Maria; uma comissão formada por um pai (Lourdes), um funcionário (Paulo) e uma aluna da 7º serie (Raquel) - responsabilizar-se-ão pela realização/ coordenação da operação;
- O QUE será feito para eliminar a causa apontada anteriormente; esta é a ação propriamente dita;
- RECURSOS - explicitar os recursos físicos, humanos e financeiros necessários para a concretização das operações;
- PRAZO DE EXECUÇÃO - tempo necessário para a organização e execução da ação proposta;
- Explicite quais os RESULTADOS que esperam ser alcançados com a ação proposta;
- Descreva o processo de AVALIAÇÃO de cada ação, ou seja, QUEM vai avaliar (o diretor, a comissão formada..., etc.), COMO vai avaliar, quais os instrumentos utilizados para a avaliação (questionários, relatórios e outros) e QUANDO será realizada a avaliação (logo após a ação executada, após duas semanas da ação executada, etc.). 

Seguindo estas orientações, podemos preencher as fichas de forma a possibilitar melhor visualização de cada passo do processo de planejamento. 

A seguir, mostraremos 3 modelos de fichas para Operação: 

Ficha 4 A – Para uma causa, três operações: 

C 1: Rivalidade entre alunos de bairros diferentes 

OPERAÇÃO 1: (QUEM) Uma comissão formada pela vice-diretora, dois professores (José e Ruth) e um pai de aluno (Sr. Carlos), (O QUE) organizarão a apresentação de um filme que trate do tema, seguido de debate entre alunos e professores; (Grupos de 90 alunos por apresentação). 

RECURSOS: Físicos = Refeitório; Telão; Equipamento de Som / Humanos = Professores das classes correspondentes, coordenadora pedagógica, três pais representantes da APM, um funcionário da limpeza/ Financeiros = O aluguel do telão será pago com verbas da APM. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da Operação = no primeiro mês de aula. 

RESULTADOS ESPERADOS = Conscientização dos alunos sobre os prejuízos decorrentes das brigas na escola. 

AVALIAÇÃO = (QUEM) A vice-diretora, auxiliada pelos professores, aplicará (COMO) um questionário aos alunos para saber a sua opinião sobre a atividade, bem como as suas sugestões, (QUANDO) uma semana após a realização da mesma. 

OPERAÇÃO 2: (QUEM) Uma comissão formada pela coordenadora pedagógica, dois professores (Raquel e Paulo), uma mãe de aluno (Sra. Ana) e três alunos do Grêmio Estudantil (Marcos, Luiz e Lourdes), (O QUÊ) organizarão um campeonato de futebol de salão e outro de vôlei, com a colaboração dos professores de Educação Física. 

RECURSOS: Físicos = Quadra poliesportiva ; sala de Reuniões; Computador (Elaboração das tabelas de jogos e divulgação dos resultados)/ Humanos = Professores de Educação Física; três pais de alunos; três representantes dos alunos; um funcionário; vice-diretora/ Financeiros = Para compra das medalhas e troféus, serão captados recursos na iniciativa privada (comerciantes do bairro). Caso estes recursos não sejam suficientes, a APM se comprometerá com os gastos com o campeonato. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no segundo e terceiro mês de aula 

RESULTADOS ESPERADOS = Aproximação dos alunos, bem como dinamização das relações entre eles por meio da prática de esportes 

AVALIAÇÃO = (QUEM) Uma comissão formada pela coordenadora pedagógica, dois professores, dois pais, dois alunos, farão (COMO) uma pesquisa, por meio de questionário padronizado endereçado aos vários segmentos da escola, para saber a opinião de todos sobre a influência dos eventos esportivos no comportamento do aluno na escola, (QUANDO) uma semana após o encerramento do mesmo. 

OPERAÇÃO 3: (QUEM) A coordenadora pedagógica (O QUÊ) organizará uma palestra sobre agressividade, com um especialista convidado (psicólogo, antropólogo, sociólogo, entre outros profissionais) aberta a toda a comunidade escolar. 

RECURSOS: Físicos = Refeitório (manhã, tarde, noite); aparelho de som, retroprojetor, mesa, cadeira./ Humanos = O coordenador pedagógico e o palestrante/ Financeiros = A comissão tentará obter da diretoria de ensino verbas para o pagamento das despesas do evento (pagamento e transporte do palestrante). Caso falhe esta tentativa, a comissão tentará obter da prefeitura, Sociedade Amigos de Bairro, entre outras instituições sociais, as verbas necessárias para a realização do evento, e a APM deverá ser acionada, uma vez esgotadas as outras alternativas de pagamento. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no segundo mês de aula 

RESULTADOS ESPERADOS = Ampliar a visão da comunidade sobre as conseqüências indesejáveis da agressividade para a escola e para o aluno. 

AVALIAÇÃO = (QUEM) A comissão (COMO) elaborará um relatório sobre o evento, com o número de participantes e as principais questões levantadas (QUANDO) durante a palestra, bem como novas sugestões surgidas durante o evento, o que deverá ser apresentado no Conselho de Escola, no final do semestre. 

Ficha 4 B – Para uma causa, duas operações 

C2 – Falta de professores gerando períodos livres aos alunos 

OPERAÇÃO 4: O diretor junto com o Conselho de Escola enviará um pedido à D.E. no sentido de agilizar a substituição de professores na escola 

RECURSOS: Físicos/ Humanos/ Financeiros = Serão providenciados pela direção da escola. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no primeiro mês de aula 

RESULTADOS ESPERADOS = Diminuir o número de aulas vagas 

AVALIAÇÃO = O diretor informará o Conselho de Escola sobre o andamento do pedido, nas reuniões ordinárias e extraordinárias, caso estes ocorram. 

OPERAÇÃO 5: O coordenador pedagógico organizará, com a colaboração dos professores, uma coletânea de fitas de vídeos com assuntos temáticos, para serem exibidas na ausência dos professores. 

RECURSOS: Físicos = Televisão e vídeo cassete/ Humanos = Coordenador pedagógico/ Financeiros = Aluguéis de fita serão pagos com verba da Caixa Escolar. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no primeiro mês de aula 

RESULTADOS ESPERADOS = Aumentar a permanência do aluno em sala de aula 

AVALIAÇÃO = Uma comissão formada pelo Coordenador Pedagógico, um professor, um pai e um aluno farão um relatório para o Conselho de Escola, a ser apresentado no final do semestre, mostrando a influência dessa atividade na redução de alunos nos pátios e corredores da escola, entre outros efeitos. 

Ficha 4 C – uma causa, uma operação 

C3 – Ausência de funcionários de apoio 

OPERAÇÃO 6: O diretor junto com o Conselho de Escola, enviará ofício à Prefeitura Municipal solicitando a contratação de funcionários. 

RECURSOS: Físicos/ Humanos / Financeiros = Serão providenciados pela direção da escola. 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no primeiro mês de aula 

RESULTADOS ESPERADOS = controlar melhor a entrada e a saída de alunos 

AVALIAÇÃO: O diretor informará o Conselho de Escola sobre o andamento do pedido nas reuniões ordinárias e extraordinárias, caso estes ocorram. 

Ficha 4 D – uma causa, uma operação 

C4 – Baixa estima do aluno 

OPERAÇÃO 7: Uma comissão formada por dois professores, dois pais e dois alunos organizará uma campanha de valorização do aluno na escola por meio da organização de um campeonato de xadrez, dama e pingue-pongue. 

RECURSOS: Físicos = Sala de Competição; Tabuleiros; mesa de pingue- pongue; refeitório/ Humanos = A comissão fará o levantamento do número de juizes e fiscais de mesas, necessários para as competições/ Financeiros = A comissão organizadora do evento encaminhará às indústrias da região pedidos para o fornecimento das medalhas e troféus para a premiação dos participantes. A APM deverá ser acionada, uma vez esgotadas as outras alternativas de pagamento. ( o trabalho desta comissão deverá ser feito de forma integrada com o da comissão que organiza o campeonato de futebol de salão e vôlei). 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no segundo e terceiro meses de aula. 

RESULTADOS ESPERADOS = ampliar a integração entre os alunos. 

AVALIAÇÃO = A comissão fará uma pesquisa com os professores e alunos, por meio de um questionário-padrão, para saber sua opinião sobre a influência do referido evento sobre o comportamento do aluno, o que ocorrerá após o evento. 

OPERAÇÃO 8: Uma comissão formada por dois professores, dois pais e dois alunos organizará a fanfarra da escola. 

RECURSOS: Físicos = Locais apropriados para o ensaio e guarda dos instrumentos/ Humanos = Maestro, dois professores, dois pais de alunos/ Financeiros: A compra dos instrumentos poderá ter a colaboração de empresas próximas da escola; por meio da realização de uma festa da primavera, organizada pela escola; por meio de pedidos feitos às Secretarias de Cultura (estado e município). 

PRAZO DE EXECUÇÃO da ação = no primeiro semestre de aulas 

RESULTADOS ESPERADOS = ampliar a integração entre o aluno e a escola 

AVALIAÇÃO = A comissão fará um relato avaliativo para o Conselho de Escola, no final do semestre. 

E) REVISÃO GERAL - É indispensável um período para que cada responsável faça um relato avaliando os resultados alcançados com as operações. É importante lembrar que existirão durante a execução destas operações, várias interações entre elas, sendo de grande importância uma análise conjunta de todas, a isso estamos chamando de revisão geral, a qual poderá ser feita por meio de uma reunião aberta do Conselho de Escola, no final do semestre. Desta revisão geral poderão sair os pontos norteadores do próximo plano escolar. 

PROJETO PEDAGÓGICO E PLANO ESCOLAR

O Projeto Pedagógico é o documento que define as intenções da escola, em realizar um trabalho de qualidade. O Plano de Escola diz respeito à execução dessas intenções.

Tanto o Projeto Pedagógico, como o Plano de Escola, dele decorrente, devem resultar de um desejo coletivo, ou seja, obra de todos os que militam nessa escola, mormente, os educadores. É algo que se vai construindo aos poucos. Para a consecução desse desejo coletivo, será preciso que a comunidade docente assuma realmente o seu papel interagindo para alcançar as metas que estabeleceu e pretende alcançar. Abandonar a perseguição das metas estabelecidas pelo coletivo, ao meio do caminho, é o primeiro passo para o malogro do Projeto. O Plano de Escola é um documento para muitos anos, que se vai remodelando após sistemáticas avaliações.

Assim, na elaboração do Projeto Pedagógico, é preciso reflexão profunda sobre o que se vai fazer e como será feito o trabalho, reflexão essa fundada no diagnóstico da escola no qual levar-se-á em consideração:

1. Que funcionou e que não funcionou no ano anterior, quanto ao planejado?

Essa questão deverá estar muito bem explicitada entre os professores, durante o planejamento, posto que se constituirá em pedra de toque para a organização do Projeto Pedagógico, origem das grandes linhas para o Plano Escolar e o verdadeiro trabalho coletivo. Faz-se necessária a realização de uma discussão franca e honesta do coletivo, sobre os acertos e as falhas, sem subterfúgios, uma vez pretenderem todos uma melhoria do trabalho em sala de aula.

- Perguntas pertinentes:

a) Com que clientela a escola trabalha?

De acordo com os dados coletados saber-se-á a origem sócio-econômica das famílias e sua expectativa em relação à escola e às carências intelectuais entre grupos de alunos, que precisarão ser levadas em conta para recuperar, minimamente, as defasagens de aprendizado desses discentes ao se elaborar o planejamento dos conteúdos.

- Que alunos apresentam deficiências crônicas?

- Que alunos foram promovidos com profundas defasagens no ano.

- Que a escola fez, no ano, por esses alunos?

- Que fará com eles no ano seguinte?

- Conhecemos realmente o "novo" aluno da escola pública?

Nem sempre é fácil lidar com determinados discentes, todavia mesmo o aluno rebelde respeita o professor competente e afetivo.

b) Análise dos dados de aproveitamento de cada série (avaliação interna), confrontados com os resultado do SARESP (avaliações externas) e do ENEM. Essa confrontação é relevante no sentido de discutir com o corpo docente as diferenças entre essas avaliações. Refletir o coletivo sobre tão profundas diferenças de aproveitamento poderá levar a respostas, apontando pistas para mudanças qualitativas no processo pedagógico da unidade. 

Eis as primeiras questões a serem respondidas pelo coletivo ao iniciar a elaboração do Projeto Pedagógico. Fica claro que, os alunos promovidos com defasagens profundas devem ter um tratamento especial para que recuperem ainda que, minimamente, os conteúdos significativos não apreendidos. Em função dessas defasagens, não seria interessante o Projeto Pedagógico prever a recuperação paralela desses alunos desde o início do ano?

2. Construir o trabalho coletivo – meta fundamental - Conceituação do trabalho coletivo

Perguntas pertinentes:

a) O que se entende por trabalho coletivo?

b) Seria possível um trabalho otimizado sem a cooperação de todos?

O que se nota de maneira geral nas escolas é um trabalho individualizado, de tal maneira que cada professor o realiza isoladamente, não sabendo cada um o que os demais estão fazendo, mesmo os da mesma disciplina.

Trabalho coletivo significa pois a integração de todos os docentes, ajudando-se mutuamente em direção a objetivos bem definidos em busca de um trabalho de qualidade em todas as disciplinas. Efetivamente, o trabalho coletivo não é algo que se desenvolve espontaneamente. Serão necessários mecanismos de controle das ações para se chegar à qualidade de ensino estabelecida pelo grupo. Controle esse que será exercido nas HTPCs, balizando as etapas a serem vencidas.

Trabalho coletivo significa pois a integração de todos os docentes, ajudando-se mutuamente.

3. Como trabalhará o coletivo?

Buscará elevar o nível de aprendizagem de acordo com as possibilidades e ritmo de cada grupo de alunos em todas as disciplinas (meta importantíssima e inegociável).

4. Como elevar o nível de aprendizagem?

Por meio:

a) fundamentalmente, do desenvolvimento de "habilidades" entre os alunos que explicitaremos, mais detalhadamente, ao analisarmos as metas a serem alcançadas;

b) de conteúdos mínimos significativos, nos quais fiquem expressos os conceitos básicos de cada unidade de estudo das disciplinas. Esse trabalho implicará na reflexão do docente sobre o planejamento dos conteúdos com base no diagnóstico das séries. 

Perguntas pertinentes:

- O que vou desenvolver sobre esses conteúdos?

- Para quem vou desenvolver esses conteúdos?

- Por que vou desenvolver esses conteúdos?

- De que maneira vou desenvolver esses conteúdos?

- Como vou verificar a aprendizagem desses conteúdos, desconsiderando o aspecto punitivo da aprendizagem (avaliação)?;

c) da aproximação das vivências dos alunos com esses conteúdos, tanto quanto possível, aproveitando as informações, que eles absorvem dos meios de comunicação escritos e televisivos, de seu ambiente e do ambiente escolar, etc;

d) de aulas bem preparadas com começo, meio e fim (vide a matéria "A Aula"), na qual o aluno tenha claro o que vai apreender (objetivos – que não devem ser muitos) e o sentido desse conteúdo. Aulas que tenham um mínimo de motivação para não entediar os alunos. Aulas improvisadas ou não preparadas, com utilização intensiva do livro didático é o primeiro passo para o tédio do aluno e os conflitos com o professor. Uma das alternativas para levar os professores a prepararem suas aulas seria reservar um espaço nas HTPCs para fazê-los relacionar conteúdos, objetivos e estratégias, que serão utilizadas durante a semana. Seria uma forma de o corpo docente e a coordenação exercerem ações de controle sobre o que projetaram, durante o planejamento, tanto do ponto de vista do Projeto Pedagógico como do Plano Escolar;

e) do diálogo constante com os alunos, mesmo com os mais rebeldes, valorizando suas realizações mais irrelevantes no sentido de elevar-lhes a auto- estima; buscar compreender-lhes os problemas. Criar formas de valorizar o aluno rebelde é dar-lhe funções específicas durante a aula, como por exemplo secretariá-la, anotando no quadro negro algumas passagens sobre o conteúdo que o professor está expondo; fazê-los coordenar o trabalho de grupo se se tratar de atividade em equipe entre outras ações que o professor poderá criar para fazer com que esse aluno se sinta útil (Excluídas fiscalizações sobre colegas que não estão realizando tarefas, anotações sobre os mais falantes da classe etc. Ações essas altamente deseducativas, mas muito usadas por alguns professores, mormente no Ciclo 1);

f) do trabalho em equipe, no qual os grupos tenham sempre que resolver algum problema proposto pelo professor. Formar grupos para realizar trabalhos que não exijam reflexão e descoberta não tem nenhum sentido e não leva a nada;

g) de pesquisa baseada em bibliografia específica, que não seria uma simples reprodução de informações contidas em jornais, revistas, enciclopédias, dicionários e manuais . A pesquisa só tem sentido se resultar em descoberta para o aluno. Por outro lado, não tem sentido o professor determinar pesquisas, se ele próprio ignora a fundamentação delas;

h) de aulas (mormente, nas áreas de ciências humanas), nas quais se desenvolvam discussões políticas, sociais, econômicas e culturais através de simpósios, painéis de discussão, seminários (aproveitando noticiários de televisão, de jornais e de revistas) sobre temas que incutam no aluno o conceito de cidadania e valores (direitos e deveres, preservação do meio ambiente, respeito pelo patrimônio público, solidariedade, sexualidade, etc (temas transversais);

i) da integração das disciplinas pela coordenação de áreas, demonstrando as relações entre os conteúdos, ou seja, a integração das disciplinas a partir de um tema específico (interdisciplinaridade-vide matéria específica neste manual), o que seria um passo a mais para o trabalho coletivo na medida em que todos os professores estariam envolvidos; estabelecimento de mecanismos de acompanhamento dessa integração;

j) da demonstração de que o professor gosta de seus alunos, expressa pelo diálogo e pela afetividade para com eles. O bom relacionamento professor- aluno é o primeiro passo para o aprendizado. Nem sempre é fácil lidar com determinados discentes, todavia mesmo o aluno rebelde respeita o professor competente e afetivo;

k) Do entrosamento família- escola, ajudando-se mutuamente, principalmente naquilo que os pais podem fazer quanto ao estudo do aluno em casa e no cumprimento das tarefas escolares (preocupação em enviar o aluno à escola com o material necessário às aulas, estabelecimento de horas específicas de estudo em casa). Sabe-se que os alunos, costumeiramente, não trazem material para as aulas de inglês e educação artística etc. Nesse aspecto, algumas assembléias de pais, convocadas pela direção, ao longo do ano, com o comparecimento dos professores contribuiria para esse entrosamento. O aprofundamento dessas discussões no Conselho de Escola seria relevante. Dificilmente, haverá integração escola-comunidade, se o coletivo docente não se habituar a trocar idéias com os pais. A falta de entrosamento, entre pais e professores, debatendo democraticamente os fatos escolares, determina um certo receio dos docentes em comparecer a essas reuniões, quase sempre realizadas pela iniciativa de muitos diretores interessados nessa integração. É preciso acabar com essa separação pais-professores. Nenhum Projeto Pedagógico terá sucesso sem a integração escola-comunidade;

l) de atividades extra-classe : confecção do jornal da escola (elaborado nos computadores); visitas a museus; concursos literários; assistência a peças de teatro na escola ou fora dela, que poderá ensejar a criação de grupos de teatro na unidade; campeonatos inter-classes aos sábados, se os professores de educação física se dispuserem a comparecer, entre outras que poderão ser sugeridas durante o planejamento.

A freqüência irregular do professor gera problemas de toda ordem na escola.

Como se pode observar, uma série de metas estão delineadas na exposição acima. Cada escola terá suas peculiaridades e as metas a serem estabelecidas a partir do Projeto Pedagógico, deverão estar em consonância com suas características. Devem-se estabelecer metas factíveis de serem alcançadas pela escola e pelos professores, individualmente, em suas disciplinas e que não deverão ser muitas.

METAS A SEREM ALCANÇADAS

DO PONTO DE VISTA FORMATIVO

1. Introjeção dos conceitos de cidadania, solidariedade, companheirismo etc.

O conceito de cidadania a ser incorporado pelos alunos será trabalhado, inicialmente, mediante a valorização da imagem do professor- ser humano pleno de defeitos e virtudes. Mas isso não vem ao caso quando se trata de educar. O professor deve ter a imagem de educador. Evidentemente, não terá a imagem de educador aquele que:

a) não respeita seus alunos como seres em formação, sujeitos, pois, a uma série de atitudes contraditórias, quase sempre interpretadas à luz de velhos preconceitos;

b) falta, excessivamente, às aulas levando os alunos a uma falsa imagem do coletivo docente. Inassiduidade, que provoca a ociosidade dos alunos ao longo do ano letivo. A freqüência irregular do professor gera problemas de toda ordem na escola, desde a descontinuidade do processo pedagógico a distorções do conceito de cidadania, ou seja, a negação do direito de o aluno receber um ensino de qualidade. Gera o desprestígio da escola junto à comunidade e à idéia de que as aulas não têm qualquer importância. Muitos professores poderão alegar que não faltam por vontade própria, mas por motivos plenamente justificados. Nesse caso, o coletivo deverá formular propostas, que possam minimizar, ou mesmo superar, o problema da inassiduidade, de tal maneira que não haja prejuízo aos alunos (sobre esse aspecto, existe um projeto de Decreto criando a função de estagiário para o Ciclo II e Ensino Médio que, se aprovado, poderá minimizar os problemas ligados à ausência do professor às aulas);

As HTPCs deverão estar, em grande parte, voltadas para o acompanhamento daquilo que o coletivo se propôs a realizar.

c) não valoriza o trabalho do aluno, preferindo o silêncio ou a recriminação face aos tropeços deste ou daquele discente. Os alunos precisam de incentivo e estímulo. O elogio do professor gera entusiasmo e segurança entre eles. Toda e qualquer realização do aluno deve ser elogiada. A recriminação às realizações do discente deve ser banida da sala de aula, pois gera insegurança e desânimo entre os menos dotados. 

2. Respeito pelo patrimônio público.

Pichações em carteiras e paredes do estabelecimento, vandalismo em banheiros com destruição de torneiras portas e fechaduras, tão comuns nas escolas de hoje, etc, merecem o estabelecimento de metas para solucionar ou, pelo menos, minimizar o problema.

Do ponto de vista informativo:

- cada professor, em sua disciplina, estabelecerá metas a serem alcançadas com os conteúdos "significativos" que vai ministrar. Leve-se em conta que, fundamentalmente, o aluno deve ser levado a "aprender a apreender" ou seja deve ser levado a incorporar "habilidades". A meta ligada à incorporação de habilidades pelos alunos deve ser inegociável, posto que, constitui o principal fundamento da aprendizagem;

- desenvolver habilidades em Língua Portuguesa significará dotar o aluno da capacidade de se exprimir por escrito e oralmente com correção, interpretar textos, etc; o que o habilitará ao bom desempenho em outras disciplinas. Mas, para a consecução dessa meta, será necessária uma série de ações que o professor de Língua Portuguesa deverá por em prática, quais sejam: programas de leitura, redações com auto-avaliação do aluno a partir de um texto escolhido aleatoriamente entre os alunos, que o professor irá discutindo com a classe eventuais falhas apresentadas naquela redação, estímulo à escrita com sistemáticos concursos literários, a elaboração do jornal da classe ou da escola entre outras ações que o professor poderá criar para fazer com que o aluno exercite a Língua Pátria. Essas ações deverão ser avaliadas, sistematicamente, para que o professor possa perceber os progressos alcançados pelos alunos;

A meta ligada à incorporação de habilidades pelos alunos deve ser inegociável.

- desenvolver habilidades em geografia e história significará dotar o aluno do espírito crítico e compreensão da realidade que o cerca e isso se conseguirá a partir de debates de temas sociais, econômicos políticos e culturais vinculados aos conteúdos, extrapolando-os para os grandes problemas nacionais e internacionais do momento dos quais o discente tem algum conhecimento pelas informações obtidas nos meios de comunicação;

- desenvolver habilidades em educação artística significará levar o aluno a compreender e sensibilizar-se com manifestações vinculadas à música (popular e erudita) e que será incutida por constantes audições, apreciação das artes plásticas (pintura, escultura e arquitetura) nas quais o professor seja capaz de revelar ao aluno as características dessas obras (nesse aspecto, a TV Cultura oferece vídeos sobre História da Arte, a preços módicos, que podem ser adquiridos com verbas da APM e do Estado. São programas bastante acessíveis aos alunos do Ciclo II e Ensino Médio).

O mesmo procedimento será levado a efeito, em nível de habilidades, nas demais disciplinas.

Dentre as metas essenciais a serem estabelecidas pelo coletivo, será relevante a que se refere à aula com começo, meio e fim, para se obter uma aprendizagem concreta dos conceitos básicos dos conteúdos, por meio de estratégias motivadoras, que levem o aluno a se interessar pelo que está sendo ministrado. Explicar ao aluno o sentido e a importância desses conteúdos (inserido tanto quanto possível na realidade e vivências do discente), será fundamental. A não-interiorização dos conceitos básicos, por todos os alunos, implicará na recuperação contínua envolvendo o reforço na própria aula, o que garantirá a aprendizagem e a eliminação de lacunas, assim como a recuperação paralela, realizada em período diverso das aulas.

A AVALIAÇÃO DO PROJETO

O Projeto Pedagógico deve ser avaliado permanentemente e, dentro da realidade de nossas escolas, esses momentos deverão se concretizar nas HTPCs. Assim as HTPCs deverão estar, em grande parte, voltadas para o acompanhamento daquilo que o coletivo se propôs a realizar, acompanhamento esse, que suscitará, em muitos momentos, a necessidade de capacitação, à medida em que determinados docentes apresentem dificuldades em realizar as ações que planejaram, até mesmo, por não dominarem com segurança determinados conteúdos, metodologias motivadoras, formas de relacionamento adequadas às classes. Nesses momentos é que se colocará à prova o trabalho coletivo consubstanciado na troca de experiências, no interesse em discutir com franqueza e honestidade as dificuldades a serem superadas por este ou aquele docente com o auxílio de todos, etc. Assim, verificar, passo a passo, se os objetivos a que todos se propuseram, estão sendo alcançados, garantirá o sucesso do Projeto Pedagógico.

Projeto Pedagógico e Plano da Escola

Das linhas gerais estabelecidas pelo Projeto Pedagógico e as Metas a serem alcançadas surgirá o Plano de Escola, no qual estarão inseridos o Plano de Curso (conjunto de ações que a escola irá realizar) e o Plano de Ensino, no qual os professores das diversas áreas relacionarão os conteúdos e metas estabelecidas para cada disciplina. Tudo isso deverá ser registrado. Esse registro esclarecerá o ponto de partida e o de chegada sobre o que escola quer alcançar, em seu todo e em cada disciplina, as ações a serem desenvolvidas, a duração prevista para cada uma delas, o acompanhamento e avaliação dessas ações e seu replanejamento, se os objetivos não forem alcançados.

RESUMINDO:

O Plano da Escola deve assegurar educação de qualidade para os membros da comunidade.

1 - O Plano da Escola é:

- produto final do processo dinâmico que é o Planejamento.

- o instrumento essencial da gestão da escola cujo objetivo é melhorar a qualidade de ensino e da aprendizagem por meio do gerenciamento eficaz da inovação e mudança:

* Como está a escola no momento?

* Que mudanças precisamos fazer?

* Como devemos gerenciar essas mudanças ao longo do tempo?

2 - O Plano da Escola compreende a política nacional de educação, as diretrizes da política estadual, as aspirações da comunidade, os objetivos e valores da escola e seus resultados atuais.

3 - O Plano da Escola é elaborado a partir da definição de prioridades, que serão selecionadas e planejadas em detalhe para o período de um ou mais anos e consolidados através de planos de ação.

4 - O Plano da Escola reflete, pois uma visão do futuro da escola.

QUE É PLANO DE ESCOLA?

O Plano da Escola é um recurso para colocar em prática os objetivos da educação nacional, adequando-os às situações regionais e locais e às necessidades específicas de cada escola; um conjunto de objetivos concretos e realistas; um plano preciso de ações coerentes, articuladas entre si, definidas a partir de objetivos cujos resultados podem ser avaliados; um programa plurianual, contendo um cronograma com períodos estabelecidos para cada fase; um conjunto de atividades propostas pela comunidade escolar, com vistas a garantir maior eficiência escolar.

O Plano da Escola permite uma abordagem abrangente e integrada de todos os aspectos da atividade escolar, compreendendo currículo e avaliação, capacitação de professores, administração e organização da escola, verbas e recursos.

O Plano da Escola capta a visão da escola a longo prazo. A partir dessa visão, será possível estabelecer metas viáveis de curto prazo.

OBJETIVOS DO PLANO DE ESCOLA

O objetivo principal do Plano da Escola é explicitar os ideais de uma comunidade em relação a sua escola. O Plano delineia uma visão, isto é, pretende transformar um sonho em realidade por meio de um conjunto de ações. Essa visão deve ser definida em termos de metas. Essas metas traduzem objetivos de melhoria nos seguinte aspectos:

- processo ensino aprendizagem;

- processo de organização do atendimento escolar;

- gestão administrativa: pessoal, instalações físicas da escola; patrimônio; apoio ao aluno;

- gestão financeira.

ETAPAS DO PLANO DE GESTÃO DE ESCOLA 

- Diagnóstico.

- Definição das metas e estabelecimento de prioridades.

- Implementação de ações destinadas ao alcance das metas.

- Avaliação do Plano.