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Haddad pressiona e governo decide recorrer do cancelamento de questões

Decisão técnica da AGU havia desaconselhado o recurso, mas ministro e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo opta pela batalha judicial;
Rui Nogueira, Mariângela Gallucci e Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O governo recorrerá da decisão da Justiça Federal, no Ceará, que determinou a anulação de 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A opção pelo recurso – que pode virar uma batalha de tribunais – foi tomada por pressão do ministro da Educação, Fernando Haddad, contra a decisão técnica da Advocacia-Geral da União (AGU). O recurso deverá ser protocolado amanhã (quinta) no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, sediado no Recife.
Na manhã de terça-feira, a decisão era por não apresentar recursos, para evitar um confronto com o Ministério Público e a intensificação de ações no Judiciário em torno do Enem. No ano passado, a batalha judicial por conta de erros, como a troca de cabeçalho no cartão-resposta e falhas na encadernação, chegou a suspender o exame. 
Neste ano, segundo investigação da Polícia Federal (PF), as 13 questões anuladas pela Justiça cearense vazaram para alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, em outubro do ano passado, após a aplicação do pré-teste.
Além de evitar uma eventual guerra judicial, o governo teme um desfecho que, depois de três edições do Enem com falhas, arranhe a imagem pública do ministro Fernando Haddad, pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo.
O ministro ficou irritado ao ler essa avaliação estampada no Estadão.com.br. Em conversa com assessores da Presidência, Haddad disse que era inadmissível “a ilação do quinto parágrafo da matéria do Estadão" – ele se referia ao parágrafo publicado no portal do Estado, que falava de eventuais problemas com a candidatura à Prefeitura. 
(Diz esse quinto parágrafo: "O Planalto orientou o MEC, que é responsável pelo Enem, a não entrar em uma guerra judicial que prejudicaria o governo e arranharia a imagem pública do ministro Fernando Haddad, pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo no ano que vem. No ano passado, a batalha judicial por conta de equívocos como a troca de cabeçalho no cartão resposta e falhas na encadernação chegou a suspender o exame".)
A intenção do governo, ao aceitar a decisão da Justiça Federal, era validar 167 das 180 questões da última edição do Enem. Na avaliação de técnicos do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mesmo sem 13 das 180 questões do exame, “o teste de avaliação não perde qualidade de seleção”.
No início da tarde, após pressões políticas, a AGU anunciou que encaminhará um recurso para tentar derrubar a decisão que anulou questões do Enem. “Com o recurso, a AGU quer evitar que os mais de 4 milhões de estudantes que fizeram a prova e aguardam os resultados – até para participarem de processos seletivos que utilizam a nota do Enem – sejam prejudicados”, justificou o órgão encarregado da defesado governo. 
Com presidiários. O governo deverá sustentar que o exame deve ser cancelado apenas para os alunos do Colégio Christus. De acordo com o MEC, se a prova for cancelada apenas para os alunos do Christus, eles poderão fazer novamente o exame juntamente com presidiários, já no final deste mês.
O MEC disse que, no exame plicado aos presos, existe uma cota extra de provas destinada a atender imprevistos. Essa cota foi usada, por exemplo, no passado, quando alunos do Espírito Santo não puderam fazer o Enem por causa do excesso de chuvas na região. O MEC informou que os responsáveis pelo vazamento da prova poderão, no futuro, ser acionados para arcar com eventuais prejuízos.
Escola. O Christus afirmou, em nota, que respeitará todas as decisões judiciais e continuará promovendo a defesa dos direitos de seus alunos em todas as esferas competentes. 
Na nota, o colégio de Fortaleza afirma que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal e sustenta que sempre agiu estritamente conforme os “princípios éticos e de licitude”.
Anteontem, a presidente do Inep, Malvina Tuttman, afirmou em Fortaleza que o problema não era de vazamento, mas de ética. “É preciso discutir como estamos trabalhando valores éticos nas nossas escolas”, afirmou. “Não houve vazamento. Alguém pegou dois cadernos de prova, guardou durante um ano e utilizou esse material numa apostila da escola. Portanto, não houve vazamento”, frisou.

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São Paulo lidera consolidação do Enem

Dos 5,3 milhões de inscritos, 901 mil são de São Paulo e 335 mil do Rio
Antes encarado como uma prova que não era bem um vestibular, o Enem se consolidou como uma prova que tem suas dificuldades - mas, principalmente, particularidades. Se em São Paulo, onde ainda não é usado como seleção para as principais universidade estaduais (USP, Unicamp e Unesp), a preocupação já é grande em desvendar a prova, no Rio de Janeiro essa atenção cresceu consideravelmente neste ano.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aderiu ao exame como forma de seleção, causando estranheza entre estudantes. "Preferia o vestibular tradicional da federal, media mais a qualidade. Acho a prova do Enem muito estranha", diz Wallace Pappacena, de 18 anos, que quer cursar Direito na UFRJ.
O coordenador do cursinho Miguel Couto, do Rio, Antonio Bottino, avalia que a preocupação entre os estudantes cariocas é que agora a concorrência ficou ainda maior. "No Rio, cada prova tinha uma característica, e havia um perfil restrito de candidatos. Agora, com o Enem, a concorrência é com Brasil inteiro."
De acordo com ele, o cursinho reforçou o foco no Enem. Dos 5,3 milhões de inscritos. 335 mil são do Rio. O maior número de inscrições está em São Paulo: 901 mil.
Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo

Censo indica queda de matrículas no País

Dados preliminares do MEC mostram redução de estudantes na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio entre 2009 e 2011
RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Houve queda no número de matrículas na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio das redes estaduais e municipais, urbanas e rurais, do País entre 2009 e 2011, apontam dados preliminares do Ministério da Educação (MEC) divulgados ontem no Diário Oficial da União.
Levantamento feito pelo Estado comparando dados finais de 2009 com os preliminares de 2011 mostra que o número de matrículas caiu de 3,71 milhões para 3,52 milhões na pré-escola (-5,1%); de 14,94 milhões para 13,73 milhões nos anos iniciais (1.º ao 5.º) do ensino fundamental (-8,1%); de 12,66 milhões para 12,06 milhões nos anos finais (6.º ao 9.º) do ensino fundamental (-4,73%); e de 7,25 milhões para 7,16 milhões no ensino médio (-1,29%). As matrículas da educação especial não foram consideradas. As de creches seguiram movimento contrário e aumentaram de 1,24 milhão para 1,46 milhão (+17,13%).
Comparando os números parciais aos consolidados de 2010, a variação sempre ficou abaixo de 1%, à exceção do ensino médio, que foi de 2,6%. Se isso ocorrer neste ano, a tendência de matrículas no ensino médio pode mudar.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do MEC que coordena o censo, os números podem ser corrigidos ou complementados. "As instituições têm 30 dias para ratificar ou alterar algum dado", informou. Questionado sobre a oscilação dos números, o Inep considerou "infundada a comparação entre dados consolidados e dados preliminares".
Números consolidados. No ano passado, a oscilação entre os números parciais e os consolidados do censo foi mínima - no caso de matrículas em creches, o número final foi 0,13% superior ao inicial; quanto às pré-escolas, a variação foi também positiva, de 0,55%; nos anos iniciais de ensino fundamental, de 0,4%.
Mas a comparação entre dados finais de 2009 e 2010 aponta queda no número de matrículas na pré-escola, no ensino fundamental e no ensino médio, considerando o tempo integral (mais de sete horas) e parcial.
No recorte feito nos anos iniciais de ensino fundamental, por exemplo, houve queda de 11,21% nas turmas de tempo parcial e aumento de 66,76% nas de tempo integral nos últimos três anos. Mesmo assim, o número global de matrículas nos anos iniciais do fundamental caiu, pelo fato de as matrículas de tempo parcial serem mais numerosas.

Inep cria categoria especial para municípios com poucos alunos serem avaliados pelo Ideb

Após pedidos de municípios de várias partes do país, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) - autarquia federal vinculada ao MEC (Ministério da Educação) – resolveu, a partir deste ano, criar uma categoria especial para que mais localidades possam ser avaliadas por meio do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Com a novidade, mais 328 redes municipais passarão a ser avaliadas.
A maioria delas está localizada no interior de Estados grandes como Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Tocantins. São locais onde que a população é pequena e a concentração de alunos é baixíssima. Nestas redes, as notas serão apenas municipais e não por escola, como nos demais casos. 
Até então, para o município ser avaliado pelo Ideb, ele precisa ter, no mínimo, uma escola com 20 alunos matriculados na 4ª série (5º ano) ou 8ª série (9º ano).  O Ideb é um índice que vai de 0 a 10 e é calculado a partir dos dados sobre a aprovação escolar e as médias de desempenho em avaliações como o Saeb (para os Estados e o Distrito Federal) e a Prova Brasil (para municípios).
“Para 2011, isso está sendo reconsiderado. A gente está somando as escolas que tem menos de 20 alunos. Se este município atingir este mínimo (de 20 alunos), ele vai ter a Prova Brasil e o município vai passar a ter o Ideb também”, afirma a coordenadora de Controle de Qualidade e Indicadores da Educação Básica da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, Carla Castro. “Hoje, se o município não tem pelo menos uma escola com 20 alunos ele acaba não tendo Ideb. A falta do Ideb nestes locais gerou uma série de reclamações. Eles querem ter o Ideb e nós [Inep] fizemos este ajuste”, explica . 
Além de pode contar com um instrumento para medir a qualidade do ensino, o interesse dos municípios se baseiam também na relação com governo federal, no sentido de reforçar a imagem política local de gestão competente para, inclusive, obter mais recursos. 
A meta traçada pelo MEC é que todo o país atinja a nota 6 até 2021 para nivelar a educação nacional com de países mais desenvolvidos.
Camila Campanerut Enviada do UOL Educação Em Mata de São João (BA)
* A jornalista viajou a convite da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

O que mais rolou no evento

Inep contrata empresa para verificar erros no Censo Escolar

Para evitar as fraudes e erros no Censo Escolar, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) reconheceu que não conseguia sozinho resolver o problema e decidiu contratar uma empresa especializada para mapear a situação em todo o país e apresentar soluções para que a autarquia, vinculada ao Ministério da Educação, resolva a questão.

“Serão verificados quais as dificuldades que as escolas têm. Não são só os números de matrículas que estão errados. Mas o porquê eles estão errados. Há falta de documentação nas escolas? Elas estão desorganizadas? Como o armazenamento dos dados está sendo feito? Tudo para deixar os dados do censo cada vez mais fidedignos”, explicou a coordenadora de controle de qualidade e indicadores da Educação Básica da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, Carla Maria do Valle Castro. 
A coordenadora afirma que a decisão de contratar a empresa se baseou na recomendação do CGU (Controladoria Geral da União), que cobra, fiscaliza e faz auditorias nos órgãos que recebem verbas federais. A questão também envolve o fato de que quanto mais alunos em uma escola e, consequentemente em um município, maior pode ser a verba federal que uma unidade de ensino ou a localidade pode receber.

Entre os problemas já diagnosticados pelo Inep estão a matrícula de um mesmo aluno em diferentes escolas, um número maior de matrículas do que há, de fato, de estudantes. E para melhor entender as distorções dos números, as ações da empresa de consultoria serão feitas in loco.

A empresa designada para a tarefa foi a Datamétrica, de Recife (PE), cuja seleção foi realizada por meio de pregão eletrônico e, mesmo tendo ficado em segundo lugar, a empresa assinou o contrato após a desclassificação da primeira colocada por falta de requisitos técnicos, segundo a coordenadora do Inep.

A Datamétrica terá a missão de entregar até fevereiro do ano que vem um relatório com a amostra da pesquisa que será feita em 4.600 escolas escolhidas aleatoriamente, mas com a distribuição proporcional aos números de unidades públicas de ensino municipais e estaduais de todos os Estados e do Distrito Federal. No relatório, além do diagnóstico mais detalhado dos problemas, serão apresentadas sugestões ao Inep.

*A jornalista viajou a convite da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

Camila Campanerut* Enviada do UOL Educação Em Mata de São João (BA)